28 de dez de 2007

A5

“Conseguimos a imagem de um Airbus da TAM. O avião vinha de Frankfurt com destino a Teresina mesmo. Vimos os momentos de desespero, vimos as pessoas carbonizarem e se despedaçarem entre as ferragens.

Por incrível que pareça as luzes do avião não desligaram quando este caiu. Viramos à esquerda adentrando um novo túnel; parecíamos saber onde estávamos indo. O tal Airbus estava lá, lembro por causa das luzes acesas e o amassado inconfundível, abrira uma cratera onde antes era a Igreja São Benedito. Não preciso mencionar a morte dos fiéis também.

Uma pessoa sobreviveu ao acidente, um passageiro do Airbus. Outro misto de milagre com susto, era meu namorado, que decidiu fazer uma surpresa também; mas ele era um pouco menos bem humorado que meu amigo, talvez pela cultura de seu país, talvez pelo susto e pela sorte de ter renascido. De qualquer forma, estava muito contente em vê-lo são e salvo também.

De repente, outras pessoas começaram a sair do avião, mas não pareciam de fato pessoas normais e vivas. Algumas sem perna, outras sem cabeça, arrastavam-se umas por cima das outras e por cima de membros palpitantes, deslizando sobre o sangue.

Tirei muitas fotos enquanto corria de costas, não sei como consegui tal proeza. Medo, muito medo. Aquilo tudo era inacreditável e assustador. Dei-me conta de que ainda estava descalça, ainda com roupa social, mas isso não atrapalhou muito. Rasguei um pouco as laterais da saia para correr melhor e abandonei o blaser no caminho. Seguimos correndo pelos túneis até encontrarmos um elevador. Era bem espelhado também, lembrava-me de meu trabalho, a emissora de TV que provavelmente suma em fade out também neste momento.

Subimos, não sei pra que, mas subimos. Quando a porta abriu, três criaturas estranhas,tais quais as que vi na transmissão de Mikerinos, nos fitaram com seus olhares negros e amendoados. Mais fotos e tirei, mais pavor eu sentia. Elas pareciam incomodadas e começaram a correr em nossa direção. Estavam longe o suficiente para dar tempo de fechar a porta do elevador. Descemos até um abrigo alguns níveis abaixo, sem mais esperanças.

Chegamos a uma sala blindada, outras pesoas já estavam no local. Sentamo-nos num sofá grande a esquerda. Estávamos distraídos e anestesiados pelo pânico e pelo medo quando vêm os gritos: ‘My head aches! I can not support this pain!’ o rapaz germânico – que se comunica em Inglês com agente – se lança imediatamente ao chão. ‘What a hell are you saying?! What do you want from me?! What do you want, please,what?!’ Ele realmente não parecia falar conosco...”

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