28 de dez de 2007

A3

“Saímos da sala do Diretor Executivo e seguimos correndo pelo longo e largo corredor. O carpete era macio e o salto da minha sandália incomodava muito. Tirei o calçado e segui descalça mesmo. Entrei num dos estúdios de gravação, onde já acontecia o programa que eu auxiliava. As pessoas estavam lá, muito bem acomodadas nas cadeiras, vendo a Apresentadora falar.

O local estava empestado de crianças louras. Era um programa falando sobre crianças albinas. Ninguém ali estava ciente da guerra lá fora. Também não os avisei nada, meu amigo faria esse trabalho.

Subi pela escada em forma de espiral até chegar aos computadores lá em cima. O estúdio era como uma sala de cinema, bem isolado acusticamente – comprovei hoje sua imensa eficácia – com cadeiras confortáveis, um pequeno palco e uma cabine lá em cima, onde eu estava.

Entrei na sala e pouco liguei para os controladores, eles também nem se moveram pra impedir qualquer coisa. Conectei tudo o que podia ser conectável naqueles computadores. ‘O que diabos aconteceu com o teleprompt?!’ Perguntava o diretor do programa enquanto a apresentadora faz aquela cara de ‘não to entendendo’, mas ela soube improvisar bem até chegar a hora dos comerciais.

Os monitores de LCD, uns 20, dispostos na pequena câmara, mostravam diferentes paisagens daquela guerra que acontecia aqui. O Cristo Redentor perdera os braços, o Cabeça-de-Cuia, um monte de concreto partido, Torre Eiffel, Estatua da Liberdade... pelos deuses: O Taj Mahal!! Afinal, o que havia de errado com os monumentos? Por que razão eles os odiavam tanto?

Uma TV egípcia, com seu repórter e seu cinegrafista escondidos, transmitia ao vivo uma estranha movimentação de seres no interior da pirâmide Mikerinos . Eram criaturas horrendas: altas, cinza escuro, com uma cabeça enorme e cheia de tentáculos. A coisa mais parecida que já vi, foram os ETs do filme Independence Day, nos seus trajes de guerra.

Meu colega, falou o mais delicadamente possível sobre o acontecido, mas não pôde controlar o pânico das pessoas, que agora pareciam baratas desgovernadas. As cabecinhas louras, correndo pra lá e pra cá, me pareciam quase cômicas, mas aquilo tudo era sério demais pra se fazer piadas.”

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