15 de dez de 2011

Hevisaurus: Heavy Metal para crianças

Que o modelo de educação finlandês é um exemplo para o mundo, isso todos nós sabemos - ou estamos começando a saber. Também é notável a cultura do Heavy Metal no pequeno país, localizado no fim direito da Escandinávia. Mas até agora eu não tinha percebido o que um aspecto tem a ver com outro. Só sei de uma coisa: este mundo está salvo!
Herra Hevisaurus, é o tiranossauro-rex líder e vocalista da banda.

De 2009 até agora os Hevisaurus têm doutrinado as crianças finlandesas na cultura Heavy Metal. Pra quem, como eu, não sabia da existência da banda, posso resumir da seguinte maneira: imagine a Família Dinossauros tocando Metal à lá Nightwish ou Blind Guardian - pra citar exemplos famosos. 

Os bonecos são um tanto toscos, tão 80´s e 90´s quanto os da família do Baby, mas os pequenos finns parecem achar o máximo.

Milli Pilli, a Charlene tecladista - que tira uns vocais às vezes.
Com isso, as crianças aqui se interessam mais cedo por aprender a tocar instrumentos musicais e a compor, o que desencadeia uma série de hábitos saudáveis social e culturalmente falando. E não estou simplesmente puxando a sardinha pro meu lado. Quase todo os dias matérias como esta são publicadas, comprovando o que eu tenho dito.

Komppi Momppi, o baterista.

Acho que a coisa mais parecida que tivemos no Brasil - uma banda de rock com grande aceitação entre o público infanto-juvenil - foram os Mamonas Assassinas que, ainda assim, apelavam mais pra sexualidade do que qualquer outro tema.

Nada contra as Kelly Keys, Claudias Leitte e Mulheres-Fruta da vida (também nada a favor; que fique registrado), mas acho que nosso Brasil está precisando de influências que ensinem suas crianças algo além da mera função de procriar um dia - ou sair por ai praticando o "todo enfiado" irresponsavelmente.

Os Hevisauros trazem em suas letras temáticas não muito distantes das abordagens feitas em músicas de bandas de gente grande: viagens, mundos fantásticos, dragões e ainda, claro, dinossauros. Além disso, a linguagem narrativa dos video-clipes às vezes é de provocar inveja em muitas bandas de metal por aí (com direito a orlas marítimas e amplificadores Marshall).

Ou seja, nem tudo está perdido! E como diria o povo do Ensiferum, existe um place in the North, far, far away onde os pequenos prometem. E como prometem!

6 de dez de 2011

Moda e Independência da Finlândia: o estilo de um povo

E hoje foi o tal Suomen itsenäisyyspäivä, dia da independência da Finlândia. Há 94 anos - com uma pequena ajuda da Alemanha até então nazista - o pequeno país soltava seu grito de liberdade, livrando-se do domínio soviético - e continuar por alguns anos pagando os devidos tributos, claro.

Hoje os pouco mais de cinco milhões de finlandeses acenderam e ascenderam suas velas azul-e-branco, ergueram as bandeiras de sua pátria livre em seus quintais e acompanharam, nas ruas ou pela TV, as homenagens ao país diplomaticamente mais neutro da escandinávia. Como minha coragem não me permitiu trocar o conforto do meu lar pelos -2ºC do mundo exterior, eu fui uma daquelas pessoas que tiveram o privilégio de acompanhar pela TV. Após meu priviliegiado almoço finlandês tradicional - carne de urso com purê de batatas - decidi apreciar a sobremesa diante do monitor.

Após o desfile de soldadinhos e tanques de guerra pelas ruas do centro de Helsinque, os mais VIPs foram convidados a prestigiar o baile de Tarja Halonen, senhora presidente da Finlândia.

Tarja Halonen, presidente da Finlândia, muito "feliz" antes de passar uma hora cumprimentando os convidados que chegavam. Fonte: YLE Tv.

Eu diria que o verdadeiro banquete foi (des)apreciado pela imprensa amarela finlandesa, que teve de abanar a cabeça e dizer maravilhas sobre os vestidos das convidadas, pérolas do mau gosto e da certeza de que dinheiro não compra sensatez, principalmente quando referida ao indumentário. De resta de lápis escolar à bandeira finlandesa desbotada, a "bregueza" contaminava os cabelos e entristecia ainda mais - sim, foi possível! - a típica feição de incômodo profundo que estampava as caras das senhoras da alta classe finlandesa. Perdi a foto da senhora vestida de lápis, mas espero recuperar em algum vídeo ou foto futuramente. Só pra lhes conferir uma visualização mental: era um vestido longo, azul perolado, com lápis coloridos que convergiam em direção a um espelho com formato arrendodado, compondo uma espécie de arte pós-moderna de aproximadamente 25cm de diâmetro. Brincos e colar também feitos de lápis coloridos, pra combinar, totta kai.

Bandeira ambulante. Fonte: YLE Tv.
Ela novamente, dispensando comentários. Fonte: YLE Tv.

Às vezes - e somente às vezes - algumas senhoritas conseguiam melhorar o visual da festa, trajando vestimentas até que normais - algumas até surpreendentemente belas.

Só não sei os nomes, mas pelo que entendi, foram vencedoras em um campeonato de sobrevivência na selva, olhem só que ironia. Fonte: YLE Tv.
Agora sem ironias, fico surpresa também com o estilo da galera chamada aqui de mustalainen - traduzindo mais ou menos, seria algo como "os de preto". Os mustalainens são pessoas que emigraram da Romênia pra cá há algumas gerações, mas que não se afastaram de seus costumes. São entrometidos, zuadentos, exageradamente enfeitados e muito sinceros, te olham no olho e perguntam "algum problema?" se você encarar demais. Me lembram visões estereotipadas de ciganos, numa versão real e tão cheia de penduricalhos quanto. As senhoras se vestem SEMPRE assim, seja pra ir no supermercado, seja pra ir no baile do palácio da presidente:

Uma dama de preto. Fonte: YLE Tv.

Dispensando comentários, o senhor mais despojado da noite foi este que trago a imagem a seguir:

Fonte: YLE Tv.
Poderia passar a noite tirando print screens da porra toda - como diz uma doida da Bahia que encontrei por aqui um dia desses - mas são muitas obras de arte pros meus olhos de mera mortal captarem. Mas faço um apelo aos estilistas de todo o mundo: ajudem a Finlândia a ser independente do mal gosto, pelo amor de Odin!

Agora vou ali tomar meu chá de jasmim que falar isso tudo me deixou de garganta seca.

1 de dez de 2011

O Quinto Elemento: Diva Plavalaguna

Há 14 anos você assistiu pela primeira vez o filme O Quinto Elemento (The Fifth Element - 1997). Talvez você tenha visto um pouco depois disso. Mas é certo que você ficou impressionado com o concerto da alienígena azul que, além de ser dona de uma beleza literalmente exótica, tem uma extensão vocal pra lá de admirável. Interpretada por Maïwenn Le Besco (com vocais da soprano albanesa Inva Mula), a E.T Diva Plavalaguna foi pra mim a personagem mais marcante do filme.

Diva Plavalaguna e sua cara na vida real: Maïwenn Le Besco.
Numa de minhas navegações randômicas, acabei encontrando o video do making of da cena do concerto de Diva e fiquei muito :DDDDDD porque agora pude ver a performance completa. Sem o jogo das câmeras e as correções e imagem, talvez o vídeo não seja tão interessante quanto o original, mas vale matar a curiosidade:



O take completo e finalizado da cena: