27 de dez de 2007

A2

“Não acreditava no que meus olhos 'descoculados' viam. O objeto metálico, que mais parecia dois pratos de ouro, deslizava rapidamente entre as nuvens crepusculares e se aproximava do chão com velocidade constante. Repentinamente, outros objetos idênticos saiam por de trás das nuvens pálidas, contrastando-se com elas e confundindo-se com gradiente no céu.

Eram incontáveis agora. Minha reação foi ímpar: sair correndo. A porta de entrada da TV estava muito longe, então abri uma das janelas espelhadas de uma daquelas salas que ficavam no térreo e lá entrei. Era a sala do Diretor executivo, um cara bem antipático. A secretária ‘boasuda’ dele ainda estava lá, provavelmente tinham acasalado momentos antes.

‘Você não pode ficar aqui meu bem, já vou fechar a sala’ ela disse com uma voz irritante, como quem está em um orgasmo constante. Eu estava simplesmente em pânico, só consegui ficar ali ao lado da janela espelhada – agora bem fechada – olhando a cidade ser destruída.

Ela quando notou o que acontecia lá fora, pôs-se ao chão em pranto: ‘Meu deus! Vamos morrer!’ Peguei o celular em cima da mesa, não sabia de quem era, só conseguia pensar em ligar pra uma pessoa. Sentia que ele poderia, não como diabos, ajudar-me naquela situação. Mas estava tão nervosa que não conseguia apertar direito os botões do celular.

Alguém bate à janela. Que susto e que alívio ao mesmo tempo, quase uma sensação de milagre. Ele conseguira passar pelo campo de batalha e estava lá, era ele sim, como se tivesse atendido à chamada que não fiz! Ele estava há um mês no Japão, finalizando um doutorado em alguma coisa da computação, não sabia se voltava.

Abri a tal janela instantaneamente e logo que ele entrara o abracei como nunca antes. ‘Olha, não precisava essa festa toda pra me recepcionar! Fico muito grato!’ Ele não perde o humor nem nessas horas. ‘Eu fiquei sabendo que a TV era aqui agora, ai resolvi te fazer uma visitinha. Daí, depois eu...’

Sua frase fora interrompida por um barulho ensurdecedor. A Igreja dos Loucos, logo à frente, fora minada por uma bomba esquisita. Pude ver o desespero das pessoas queimando vivas, algumas sublimavam depois de alguns segundos enquanto as estruturas da Igreja pareciam sumir como num efeito de fade out.

As aeronaves da FAB ‘birravam’ com os objetos metálicos, mas eram insignificantes em número e poder de fogo. Os OVNIS disparavam lasers que causavam combustão instantânea nas coisas, o que quer que fosse atingido por aquilo virava cinzas na mesma hora... Era mesmo o Apocalipse..."

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