1 de set de 2009

70 anos da Segunda Guerra Mundial: Anne Frank


1º de Setembro de 2009. Praticamente um dia comum... hoje. Pouca gente - ou muita gente, não sei - sabe que exatamente neste dia teve início a Segunda Guerra Mundial, com a primeira ofensiva alemã contra a Polônia. São inúmeros os relatos de quem viveu na época, mas nenhum se iguala ao de Anne Frank, jovem alemã que sobreviveu por alguns anos escondida em um cômodo secreto de sua casa.
Durante sua reclusão, ela escreveu um diário - chamado de "Kitty", o diário representava as amizades que Anne não tinha - no qual ela descrevia sua vida, revelando uma força e uma coragem fascinante, mas principalmente esperança na juventude daquela sociedade. Anne não era uma adolescente comum. Mesmo vivendo os medos da guerra, dedicava-se à leitura e à análise crítica de obras literárias de seu tempo, sempre opinando incrivelmente bem.
Ainda hoje suas preocupações são coerentes, uma vez que também vivemos em um momento cheio de incertezas sobre nosso futuro. Em um trecho do seu diário, Anne disse algo que a partir de hoje mudará minha vida:
“Pois em suas mais íntimas profundezas, a juventude é mais solitária que a velhice.” Li esta frase em algum livro, acho-a verdadeira e lembro-me sempre dela. Será verdade que os mais velhos passam por maiores dificuldades que nós? Não, sei que não é assim. Gente adulta já tem opinião formada sobre as coisas e não hesita antes de agir. É muito mais duro para nós, jovens, manter a firmeza e as opiniões em tempos como estes em que os ideais são destruídos e despedaçados, as pessoas põem à mostra seu lado pior e ninguém sabe mais se deve crer na verdade, no direito e em Deus.


Além de descrever um momento atualíssimo, as preocupações de Anne são idênticas às minhas.
Anne foi levada a Auschwitz em 1944, onde morreu de fraqueza e tristeza pela morte da irmã, falecida nas mesmas circunstâncias.

Anne fotografada dos 6 aos 13 anos.

Sexta-feira, 21 de julho de 1944
Querida Kitty
Agora estou ficando realmente esperançosa. Finalmente as coisas vão bem, muito bem mesmo! Houve um atentado contra a vida de Hitler, e desta vez não foi ato de judeus comunistas ou capitalistas ingleses; foi um orgulhoso general alemão, e – o principal – ele é conde e bastante jovem. A Divina Providência salvou a vida do Führer, e infelizmente ele conseguiu escapar com apenas alguns arranhões e queimaduras. Alguns generais e oficiais que estavam com ele ficaram feridos ou morreram. O principal culpado foi fuzilado.
De qualquer modo, essa é uma prova de que existem muitos oficiais e generais que estão fartos da guerra e gostariam de ver Hitler despencar num abismo sem fundo.
Com a deposição de Hitler, seria estabelecida uma ditadura militar que fizesse as pazes com os Aliados. Então, rearmar-se-iam para outra guerra, dentro dos próximos vinte anos. Talvez seja de propósito que o Divino Poder esteja tardando em afastá-lo do caminho, pois seria bem mais fácil e vantajoso para os Aliados se os impecáveis alemães se matassem entre si; diminuiria o serviço dos russos e ingleses, e estes poderiam principiar a reconstrução de suas próprias cidades mais cedo.
Enfim, ainda não chegamos lá e não me quero antecipar aos gloriosos acontecimentos. Você deve ter notado que isso tudo é pura realidade e que hoje estou de humor positivo; por uma vez na vida não estou alardeando meus altos ideais. O pior é que Hitler teve a gentileza de anunciar ao seu fiel e dedicado povo que, de agora em diante, as forças aramadas estarão subordinadas à Gestapo e todo soldado que souber que um de seus superiores andou envolvido naquele covarde atentado à sua vida pode fuzilar esse superior na hora, sem conselho de guerra.
Que belo massacre vai ser! Se doerem os pés de Johann durante sua longa marcha, se seu oficial berrar com ele, Johann agarra o fuzil e grita: “Você queria matar o Führer, aqui está sua recompensa”. Um balaço, e o altivo chefe que ousara berrar com Johann vai para a vida eterna (ou será morte eterna?). Agora, sempre que um oficial tiver que chamar a atenção de um soldado poderá acusá-lo e matá-lo. Você está compreendendo o que quero dizer ou será que andei pulando demais de um assunto para outro? Não posso evitar; a perspectiva de voltar outra vez para a escola, em outubro, deixa-me alegre demais para ser lógica! Ora, eu não lhe havia dito que não queria me encher de esperanças? Perdoe-me, não foi sem motivo que me apelidaram de “pequeno feixe de contradições”.
Sua Anne.

Fonte: Starnews2001

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