6 de nov. de 2009
Resident Renée Evil
70%
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Gente, to com preguiça de escrever sobre a Dadá Coelho. Acho que já falaram muito. Um esclarecimento a ais não fará os alienados mudarem de ideia...
12 de ago. de 2009
Wir sind wir
Vídeo interessantíssimo de Peter Heppner, que assisti na última aula de alemão do semestre passado. No clip, várias cenas históricas são mostradas, como a de um soldado passando por uma brecha no muro de Berlin antes de ser totalmente proibida a passagem:

"Wir Sind Wir" ("We Are We", i.e. "We are who we are"), a Germany song) was released as a stand-alone single by Paul van Dyk in 2004. Unlike most of his other singles, this was not released on any official studio album by van Dyk. The song features Peter Heppner on vocals, and was only recorded in German, presumably because it speaks directly to Germans and Germany.
Are we the land of poets and thinkers, the land of the Wirtschaftswunder [economic wonder], the land of two world wars, the land which was divided and thereafter reunited? [1]
"Wir Sind Wir" deals with the deep feeling of emotional insecurity that permeates the German society in the early 21st century. In 2004, Germany was in an economic slump, the controversial Hartz IV law had diminished the state welfare programs, and there was a lingering feeling of division between the one-time West German and East German provinces. The fact that Germany had turned itself from a one-time pariah into a valuable friend of the Western great powers (Britain, France, the United States) and had reunited itself with the end of the Cold War were suddenly unimportant. There was little pride in being German, and patrotism was a suppressed emotion.
This is reflected in the lyrics: despite having turned "ash into gold", people were feeling angst and fear of the future (40 Jahre zogen wir an einem Strang, aus Asche haben wir Gold gemacht/ (...) was vorher war ist heute nichts mehr wert). Heppner and Van Dyk then ask, where do the Germans stand, and answer "we are we, we are one, this is just a bad period, and we won't give up" (wir sind wir/ wieder eins in einem Land/ das ist doch nur ein schlechter Lauf/ so schnell geben wir doch jetzt nicht auf).
The song is a powerful statement for all Germans that they are neither bad nor good, but just themselves (we are we). For 40 years, everything went well, and now after some bad years, it is time to stand united and face the future together. The lyrics highlight the positive qualities of German culture and society and stand as a beacon of hope.
The video shows Peter Heppner as an ageless camera man who films well-known images of German history: * The destroyed Reichstag * Bombed-out cities, a one-legged man limping on his crutches * Trümmerfrauen (rubble women) salvaging scraps in a bombed-out post-WWII city * The US "Raisin Bombers" dropping food into the starving West Berlin during the Berlin Airlift * The soccer Miracle of Bern 1954, widely considered as a watershed moment for West Germany * The building of the Berlin Wall, families crying as they were divided, the East German soldier Conrad Schumann jumping over barbed wire to defect into West Berlin (a timeless still image that captured the desperation of German Cold War division) * The German Wirtschaftswunder, with new housings, cars and a new level of luxury * The Oil Crisis * The Fall of the Berlin Wall * The rebuilt Reichstag in central Berlin
The video is a mix of new footage, and original footage where Heppner has been inserted by chroma key.
Paul van Dyk appears only twice, fleetingly on both occasions, initially reading a newspaper, and later listening to the radio in a Pilstübe (bar).
The song reached the German Top 10 and was received very favourably. Germans were touched by the hauntingly beautiful atmosphere of the song and the powerful images in the video. It left such a deep impact that Matthias Platzeck asked Heppner and Van Dyk to perform Wir sind Wir in the official 2005.
(Source: Wikipedia)
Wir sind wir - Peter Heppner
Tag um Tag, Jahr um Jahr,
Wenn ich durch diese Straßen geh',
Seh ich wie die Ruinen dieser Stadt
Wieder zu Häusern auferstehen.
Doch bleiben viele Fenster leer,
Für viele gab es keine Wiederkehr.
Und über das, was grad noch war,
Spricht man heute lieber gar nicht mehr.
Doch ich frag, ich frag mich wer wir sind.
Wir sind wir! Wir stehen hier!
Aufgeteilt, besiegt und doch,
Schließlich leben wir ja noch.
Wir sind wir! Wir stehen hier!
Das kanns noch nicht gewesen sein.
Keine Zeit zum Traurigsein.
Wir sind wir! Wir stehn' hier!
Wir sind wir!
Auferstanden aus Ruinen dachten wir,
Wir hätten einen Traum vollbracht.
40 Jahre zogen wir an einem Strang.
Aus Asche haben wir Gold gemacht.
Jetzt ist mal wieder alles anders
Und was vorher war, ist heute nichts mehr wert.
Jetzt können wir haben was wir wollen,
Aber wollten wir nicht eigentlich viel mehr?
Und ich frag, ich frag mich wo wir stehen.
Wir sind wir! Wir stehen hier!
Wieder Eins in einem Land,
Superreich und abgebrannt.
Wir sind wir! Wir stehen hier!
So schnell kriegt man uns nicht klein,
Keine Zeit zum bitter sein.
Wir sind wir! Wir stehn' hier!
Wir sind wir!
Wir sind Wir!
Aufgeteilt, besiegt und doch,
Schließlich gibt es uns ja immer noch.
Wir sind wir!
Und wir werden's überstehen,
Denn das Leben muss ja weitergehen.
Wir sind wir!
Das ist doch nur ein schlechter Lauf.
So schnell geben wir doch jetzt nicht auf.
Day by day, year by year
When I'm walking along this street
I'm seeing the ruins crowing up to houses
Many windows still stay empty
There was no return for many people
About the things what just happened
No one speaks about it anymore
But I'm still asking who we are
We're what we are
We're standing here
Divided, defeated and else
We are still alive!
We're what we are
We're standing here
It can't be over yet
No time for sadness
We're what we are
We're standing here
We're what we are
We thought 'resurrection from the ruins'
Dreams had to come true
40 years of united power
We made ashes into gold
Now everything changed
Things from the past are worthless today
Now we can get everything
But didn't we want more than that?
And I'm asking where we are
We're what we are
We're standing here
Reunited in one country
Rich and burned out
We're what we are
We're standing here
we're not going down
No time to be angry
We're what we are
We're standing here
We're what we are
We're what we are
Divided, defeated and else
Finally, we still exist!
We're what we are
We will get over it
Because life has to go on
We're what we are
This is just a bad phase
We will never give up!
Viel Spaß!
10 de mar. de 2008
Biografia dos Infelizes
Seguindo uma lógica de racíonio "desgraçada", chegamos a conclusão de que tudo é bem previsível. Certamente tudo o que há por dentro - quando este tenta uma comunicação com o exterior - é de uma transparência inastimável - e lastimável.
Ora mais, o vaticano declarou oficialmente a manipulação genética como pecado, e dos mortais, bem mortais. Então nós, amados pecadores e filhos de Eva, devemos parar de acasalar. Mas veja bem, se - em uma hipótese absurdamente provável devido à fé extrema de nosso povo - pararmos de acasalar, os "verminhos" param de nascer. Com o término da produção de "verminhos" haverá o extermínio dos demais vermes. Se todos os vermes morrerem, quem sobra pra pecar?
Que diabos - olha ele se metendo no texto alheio - a condenação da manipulação genética tem haver com o fim do acasalamento? Vejamos a partir do elementar:
ma.ni.pu.lar v. Tr. dir. 1. Preparar (alguma coisa) com a mão. 2. Preparar (medicamento) com corpos simples. 3. Engendrar, forjar. 4. Oganizar.
ge.né.ti.ca s. f. Biol. Ramo da biologia que trata da hereditariedade e dos mecanismos da sua evolução nos seres organizados.
O acasalamento consiste num complexo processo de manipulação, ou seja, é o preparo (de alguma coisa) com a mão - no caso mais as ''preliminares" - auxiliada de outras ramificaçoes e poros, em corpos simples - e acrescento até alguns meio complexos, cheios de metais, componentes de petróleo, entre outros - dinamicamente engendrados, que foram formados ou organizados em um ciclo-processo semelhante. O resultado da desgraça é uma manufatura - às vezes o produto sai em série - similar aos manufatureiros.
Como tudo o que é natural hoje em dia é feio, criaram um série de termos técnicos com intuito de causar espanto. Particularmente, se sussurrassem pra mim o nome de um ácido graxo tempos atrás, eu mijava meu short.
Depois que contei as desgraças que se passaram na cabeça da pessoa criei minhas próprias conclusões. Ligo essa máquina, essa reprodutora de hiper-realidade, e fico feliz em beijar as imagens das pessoas de que gosto, essas que estão presas da caixinha de vidro (sim, a minha ainda é de vidro...quer me doar uma de lcd?). Apesar de frias, elas não reclamam do meu mau hálito e não me chamam de egoísta; tampouco sou a ''coitadinha'' ou a estúpida; não tentam me atacar; não me escondem, não se escondem. Tem algo ainda melhor: elas olham pra mim como se gostassem de mim também! Assim é perfeito, nunca serei um ser humano frustrado.
Também gosto de falar horrores pros meus detestados. Acho lindas as expressões de suas faces quando me "ouvem" dizer as coisas... eles também adoram gestos obscenos. E fica tudo no anonimato, que nem essas coisas que escrevo aqui, quem diabo - olha ele de novo - se importa?
Semana passada perdi um amigo querido. O nome dele até rima com a palavra "amigo", era um bom rapaz. Bonito no aspecto terreno, parecia com o tal Harry Potter; admirável no aspecto superior, era um quase Einstein - ele era brasileiro... fazer o que... -, uma mente incrível para os cálculos, para as equações e suas icógnitas.
Perdi meu amigo e a semana passou. Com ela passaram também linhas e linhas de raciocínio que eu possuía, mudaram idéias, morreram ideais, surgiram conceitos, abalaram-se princípios, criaram-se denominações, fluíram considerações e principalmente formaram-se opiniões, novas opiniões.
Enquanto isso, do outro lado do rio, repousa, sob a sombra hecatômbica de uma macieira funesta - linda redundância -, o outro. Está livre num lugar amplo e bem iluminado. Decide então deitar-se ao chão, no gramado verdinho e macio - bem macio - a esperar pelo nascer do sol. Animado e contagiado pela atmosfera principiante, concluiu que seus pensamentos o deixavam enfadado.
Decide mudar de assunto. Conversa consigo mesmo acerca de algumas teorias de uns alemães deprimidos, alguns gregos entediados - e entediantes - e tudo mais que era necessário saber pra que se enquadrasse em sua paisagem sem muito esforço. Desconfiado e com um sentimento envenenante - descrito como um sufoco na garganta, frio no tórax e aceleração das pulsações cardíacas, seguidas de um gosto amargo de derrota com prazo de validade vencido -, pôs-se a escrever sobre a própria vida.
Repentinamente, sente uma compressão em seu peito como nunca tivera. Tinha escrito sua vida quase toda. Estava quase chegando àquele dia, faltavam algumas horas e alguns detalhes da macieira... só isso! Mas agora não tinha mais forças pra escrever, estava enfartando, morrendo, agonizando. Como não conseguia se mover, conteve seu último pensamento, o mais profundo de todos. Uma pena não tê-lo escrito, sua biografia ficaria respeitável.
Acharam seu corpo uns 2 dias e meio depois. Sua expressão facial havia escrito seu último pensamento. Este foi tão intenso e complexo que a "encontradora" do outro, uma garotinha de 19 anos e má formação congênita, conseguiu extrair sua essência e transformá-la em uma frase: "Mas que desgraça..."
Ela era apagada, bem apagada. Agora é invisível, bem invisível.
28 de dez. de 2007
A6
“E ele chorava muito e parecia estar num estado de transe, como se tivesse dormindo ou coisa parecida. Tentei acordá-lo, eu já estava bastante desesperada. Mas ele somente gritava muito e chorava por causa da tal dor misteriosa. Aquela cena chamou a atenção das demais pessoas. Um homem se apresentou como médico e começou a examiná-lo.
‘Nunca vi isso, ele está acordado mas seus impulsos nervosos não são controlados por ele mesmo. É um quadro semelhante à epilepsia, contudo...’ o médico cessa ao ver que o jovem não mais grita ou se debate. Muito pelo contrário, levanta-se calmamente e volta ao seu estado normal.
Exceto pelo seu olhar; estava estranho, quase debochado e malévolo. ‘Você está melhor rapaz?!’ o médico pergunta inutilmente pois ele não entende muito de português. Eu pergunto como ele está, abraçando-o e afagando sua cabeça.
‘I can talk to them...They say they want to...to take one of your…you´ll see…the soul…they said we will never…’ As palavras dele não eram somente confusas, mas também aterradoras. Ele podia falar com eles e eles queriam algo de mim... O que seria?
As luzes falham agora, tudo está escuro. Sentimos um calor infernal e uma fumaça verde fosforescente sai pelos dutos de ar. Lembravam uma festa rave, mas sabíamos que aquilo era o nosso fim.
Uma porta se abre e um ser entra, e mais outro e mais outros. Eram eu, meus pais, o gato, meu amigo e meu namorado, todos muito bem vestidos de médicos. Eu caminho até o tubo em que ‘eu’ estou ‘Foi divertido não foi?’ Fiquei um bom tempo sem entender até o líquido do tubo foi retirado ‘Vou morrer Renée’ disse eu para mim mesma ‘ e você vai ficar no meu lugar’
‘Todos nós vamos morrer em poucas horas’ disse meu namorado me abraçando. ‘Agora vocês estão prontos para nos substituir’ disse meu amigo. ‘Não se preocupem, vocês não se lembrarão de nada amanhã’ disse meu pai. ‘Miau’ disse o gato para seu clone também.”
‘Renée! Hora do almoço! Se levanta, já são 12 horas!’ – disse minha mãe hoje meio dia interrompendo meu sono...
A5
“Conseguimos a imagem de um Airbus da TAM. O avião vinha de Frankfurt com destino a Teresina mesmo. Vimos os momentos de desespero, vimos as pessoas carbonizarem e se despedaçarem entre as ferragens.
Por incrível que pareça as luzes do avião não desligaram quando este caiu. Viramos à esquerda adentrando um novo túnel; parecíamos saber onde estávamos indo. O tal Airbus estava lá, lembro por causa das luzes acesas e o amassado inconfundível, abrira uma cratera onde antes era a Igreja São Benedito. Não preciso mencionar a morte dos fiéis também.
Uma pessoa sobreviveu ao acidente, um passageiro do Airbus. Outro misto de milagre com susto, era meu namorado, que decidiu fazer uma surpresa também; mas ele era um pouco menos bem humorado que meu amigo, talvez pela cultura de seu país, talvez pelo susto e pela sorte de ter renascido. De qualquer forma, estava muito contente em vê-lo são e salvo também.
De repente, outras pessoas começaram a sair do avião, mas não pareciam de fato pessoas normais e vivas. Algumas sem perna, outras sem cabeça, arrastavam-se umas por cima das outras e por cima de membros palpitantes, deslizando sobre o sangue.
Subimos, não sei pra que, mas subimos. Quando a porta abriu, três criaturas estranhas,tais quais as que vi na transmissão de Mikerinos, nos fitaram com seus olhares negros e amendoados. Mais fotos e tirei, mais pavor eu sentia. Elas pareciam incomodadas e começaram a correr em nossa direção. Estavam longe o suficiente para dar tempo de fechar a porta do elevador. Descemos até um abrigo alguns níveis abaixo, sem mais esperanças.
Chegamos a uma sala blindada, outras pesoas já estavam no local. Sentamo-nos num sofá grande a esquerda. Estávamos distraídos e anestesiados pelo pânico e pelo medo quando vêm os gritos: ‘My head aches! I can not support this pain!’ o rapaz germânico – que se comunica em Inglês com agente – se lança imediatamente ao chão. ‘What a hell are you saying?! What do you want from me?! What do you want, please,what?!’ Ele realmente não parecia falar conosco...”
27 de dez. de 2007
A2
“Não acreditava no que meus olhos 'descoculados' viam. O objeto metálico, que mais parecia dois pratos de ouro, deslizava rapidamente entre as nuvens crepusculares e se aproximava do chão com velocidade constante. Repentinamente, outros objetos idênticos saiam por de trás das nuvens pálidas, contrastando-se com elas e confundindo-se com gradiente no céu.
Eram incontáveis agora. Minha reação foi ímpar: sair correndo. A porta de entrada da TV estava muito longe, então abri uma das janelas espelhadas de uma daquelas salas que ficavam no térreo e lá entrei. Era a sala do Diretor executivo, um cara bem antipático. A secretária ‘boasuda’ dele ainda estava lá, provavelmente tinham acasalado momentos antes.
‘Você não pode ficar aqui meu bem, já vou fechar a sala’ ela disse com uma voz irritante, como quem está em um orgasmo constante. Eu estava simplesmente em pânico, só consegui ficar ali ao lado da janela espelhada – agora bem fechada – olhando a cidade ser destruída.
Ela quando notou o que acontecia lá fora, pôs-se ao chão em pranto: ‘Meu deus! Vamos morrer!’ Peguei o celular em cima da mesa, não sabia de quem era, só conseguia pensar em ligar pra uma pessoa. Sentia que ele poderia, não como diabos, ajudar-me naquela situação. Mas estava tão nervosa que não conseguia apertar direito os botões do celular.
Alguém bate à janela. Que susto e que alívio ao mesmo tempo, quase uma sensação de milagre. Ele conseguira passar pelo campo de batalha e estava lá, era ele sim, como se tivesse atendido à chamada que não fiz! Ele estava há um mês no Japão, finalizando um doutorado em alguma coisa da computação, não sabia se voltava.
Abri a tal janela instantaneamente e logo que ele entrara o abracei como nunca antes. ‘Olha, não precisava essa festa toda pra me recepcionar! Fico muito grato!’ Ele não perde o humor nem nessas horas. ‘Eu fiquei sabendo que a TV era aqui agora, ai resolvi te fazer uma visitinha. Daí, depois eu...’
Sua frase fora interrompida por um barulho ensurdecedor. A Igreja dos Loucos, logo à frente, fora minada por uma bomba esquisita. Pude ver o desespero das pessoas queimando vivas, algumas sublimavam depois de alguns segundos enquanto as estruturas da Igreja pareciam sumir como num efeito de fade out.
As aeronaves da FAB ‘birravam’ com os objetos metálicos, mas eram insignificantes em número e poder de fogo. Os OVNIS disparavam lasers que causavam combustão instantânea nas coisas, o que quer que fosse atingido por aquilo virava cinzas na mesma hora... Era mesmo o Apocalipse..."
9 de dez. de 2007
Uma lágrima depois...
O que há depois de tudo? Por que agir, para que pensar, sentir interagir... se o que há depois é so a morte? Matem-se todos vocês, mas não me comuniquem antecipadamente pois seus planos podem dar errado. Há uma mistura insana no meu pensamento agora e de certa forma escrever pro nada é uma boa forma de aliviar a tensão...
Ninguém vai ler isso, ninguém vai se importar, eu sei. Mas veja, Nada, você que se importa e me espera de certa forma, a impaciência, esta virtude que condeno em demasia tem me perseguido e sinceramente... vocês que me prometem tanto... que me falam tantas coisas legais... nenhum de vocês entendeu.
Digo até que piorei minha situação, pois minha mediocridade incomoda, não é verdade? Eu estou sempre aqui pra ouví-los, sempre estive... Veja bem, Nada, já que sou tão importante pra você eu tenho direito de ser ouvida. Aliás, esqueça o que há por trás das palavras, as palavras são invenções inúteis (posso blasfemar à vontade, sou isignifante) que até agora só serviram pra me afastar daquilo que seria um propósito escondido nelas.
Olhe pra você, Nada, sinta esse frio também. Aqui debaixo d´água não posso te ouvir e isso é bom. Você está aí, observando meu fracasso e como ser superior de sua própria vida você se delicia com o espetáculo.
Duvidar é bom. Duvide sempre e, sempre que possível, prove que aquilo que você duvida mereceu tal tratamento pois aquilo é falso. Seus valores são inúteis e você, já que se considera o tal, é um inútil também. Já que você não existe, não serve para absolutamente nada....
Estou esvaziando também, vou ser que nem você um dia, sei que vou. Mas até lá vou enfrentá-lo, meu grande amor. Agora me resta saber até que ponto vale a pena, até que ponto vale gritar aqui pro Nada... O que é o nada?
Sou a tal arvore caindo em meio a uma floresta que não tem seres pensantes pra me ouvir. Farei algum barulho? Não. Mesmo assim obrigada por me ouvir.
Imagem: "What your soul sings"by Don Paolo (www.deviantart.com)
28 de out. de 2007
Os Sinos de Nagasaki
Espetáculo tão tremendo, que não se podia imaginar que se tratasse de seres humanos, nem que semelhante quadro pudesse jamais existir... Dessa alucinante massa de carne, arrastavam-se lentamente aqueles em que existia ainda um sopro de vida; cercavam-me, agarravam-me as pernas: 'Salve-me, doutor!' - gemiam eles. Alguns, impossibilitados de falar, exibiam apenas suas chagas.
(...) Vinte minutos tinham se passado depois da explosão. Toda a região de Urakami ardia em grandes labaredas. O próprio centro do hospital já pegara fogo. Somente a ala direita, ao longo da colina, permanecia intacta. Mas não tínhamos mais material ou ajudantes; era deixar se propagar o incêndio e contemplar o espetáculo medonho: corpos nus cambaleando, tropeçando, continuavam a escalar a colina para fugir da fornalha. Duas crianças passaram, arrastando o pai morto. Uma jovem mulher corria, apertando contra o peito o filho decapitado. Um casal de velhos, mãos dadas, subiam juntos, lentamnete.
Outra mulher, com as vestes repentinamnte ateadas, rolou pela colina abaixo como uma bola de fogo. Um homem enlouquecera e dançava em cima de um telhado, envlto em chamas. Alguns fugitivos voltavam-se a cada passo, enquanto outros caminhavam firmes para a frente, apavorados demais para voltar. (...). Por detrás desta gente, as labaredas avolumadas aproximavam-se cada vez mais. Felizes ainda eram esses 10% que escaparam do inferno; os outros, presos e soterrados sob escombros, morriam queimados vivos.
(...) A pressão imediata [provocada pela bomba] foi tamanha que, no raio de um quilômetro, todo ser humano que se encontrava do lado de fora, ou num local aberto, morreu instantaneamente ou dentro de poucos minutos. A quinhentos metros da explosão, uma jovem mãe foi encontrada com o ventre aberto seu futuro bebê entres as penas. Muitos cadáveres perderam suas entranhas. A setecentos metros, cabeças foram arrancadas e, por vezes, olhos saltaram das órbitas.Alguns, em conseqüência de hemorragias internas, estavam brancos como folhas de papel, os crânios fraturados deixavam destilar o sangue pelos ouvidos.
O calor chegou a tal violência que, a quinhentos metros, os rostos foram atingidos a ponto de ficarem irreconhecíveis. A um quilômetro, as queimaduras atômicas tinham dilacerado a pele, fazendo-a cair em tiras,dando-lhe um tom marrom avermelhado e deixando à vista a carne sangrenta. A primeira impressão não foi, segundo parece, a de calor; mas a de dor intensa, seguda de frio excessivo. A pele levantada era frágil e saía facilmente. A maioria das vítimas morria com rapidez."
Agora imaginem só, este mesmo país que mata por futilidades burguesas não quer permitir as pesquisas com células tronco, por se tratarem de vidas inocentes destruídas. Digam-me, eles pensaram nas mães e filhos carbonizados em Hiroshima e Nagasaki? Sentiram pesares pelas vítimas do 1907 da Gol? Nunca sentiram e jamais sentirão. Imundos! Não digo que pensam somente em dinheiro porque nem sei se esses animais desenvolveram a capacidade de pensar. É triste e desoladora minha sensação de inutilidade... Não é possível que ninguém mais consiga visualizar esse absurdo!
Resta o consolo dos pensamentos previamente elaborados, em torno da vontade do "ser" humano : "Esforçar-se para viver ou esforçar-se para morrer" (The Shawshank Redemption. Castle Rock Entertrainment) . Infelizmente a última opção é mais promissora, não por ser mais cultivada (ainda), mas por ser a mais facilitada e incentivada.