Mostrando postagens com marcador finlandia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador finlandia. Mostrar todas as postagens

12 de abr. de 2014

Polka de Ieva

Polka é um estilo de música e dança da Europa Central, mas que também se espalhou pela região do Báltico. Na Finlândia, o gênero virou parte da cultura popular há muitos tempos - não saberia contar. E esses dias tenho lido muita coisa sobre a região de Karelia - nota mental: escrever sobre folclore finlandês futuramente.

E um dos exemplos mais fascinantes de polka que achei esses dias, feita pelo grupo Loituma, direto da década de 90:



E a letra:

Nuapurista kuulu se polokan tähti
jalakani pohjit kutkutti
Ievan äiti se tyttöösä vahti
vaan kyllähän Ieva sen jutkutti

sillä ei meitä silloin kiellot haittaa
kun myö tanssimme laiasta laitaan
salivili hipput tupput tappyt 
täppyt tipput hiljaleen

Ievan suu oli vehnasellä
ko immeiset onnee toevotti
peä oli märkana jokaisella
ja viulu se vinku ja voevotti

ei tätä poikoo märkyys haittaa
sillon ko laskoo laiasta laitaan
salivili hipput tupput tapput 
täppyt tipput hiljalleen

Ievan äiti se kammarissa
virsiä veisata huijuutti
kun tämä poika naapurissa
ämmän tyttöä nuijuutti

eikä tätä poikoo ämmät haittaa
sillon ko laskoo laiasta laitaan
salivili hipput tupput tapput
täppyt tipput hilijalleen

hilipati hilipati hilipati hillaa
hilipati hilipati hilipampaa
jalituli jallaa talituli jallaa
tilitali tilitali tilitantaa

halituli jallaa tilituli tallaa
tilitili tilitili tilitili tallaa
halituli tilitali jallati jallan
tilitali talitali helevantaa

rimpatirallaa ripirapirallaa
rumpatirupaa ripirampuu
jakkarittaa rippari lapalan
tulituli lallan tipiran tuu

jatsu tsappari dikkari dallan
tittari tillan titstan dullaa
dipidapi dallaa ruppati rupiran
kuriran kukka ja kirikan kuu

ratsatsaa ja ripidabi dilla
beritstan dillan dellan doo
a baribbattaa baribbariiba
ribiribi distan dellan doo

ja barillas dillan deia dooa
daba daba daba daba daba duvja vuu
baristal dillas dillan duu ba daga
daiga daiga duu duu deiga dou

sielä oli lystiä soiton jäläkeen
saina minä kerran sytkyyttee
kottiin ko mantit ni ämmä se riiteli
ja Ieva jo alakö nyyhkyttek

minä sanon Ievalle mitäpä se haittaa
laskemma vielähi laiasta laitaa
salivili hipput tupput tapput
täppyt tipput hiljalleen

muorille sanon jotta tukkee suusi
en ruppee sun terveyttäs takkoomaa
terveenä peäset ku korjoot luusi
ja maat siitä murjuus makkoomaa

ei tätä poikoo hellyys haittaa
ko akkoja huhkii laiasta laitaan
salivili hipput tupput tapput
täppyt tipput hiljalleen

sen minä sanon jotta purra pittää
ei mua niin voan nielasta
suat männä ite vaikka lannestä ittään
vaan minä en luovu Ievasta

Sillä ei tätä poikoo kainous haittaa
Sillon ko laskoo laiasta laitaan
salivili hipput tupput tapput 
täppyt tipput hiljalleen


Se você conseguiu cantar junto, acho boa idea você tentar participar de um show de talentos ou coisa assim! Três pratos de trigo para três tigres tristes que nada! Finlandeses tem trava-línguas embutido no idioma.

PS: Tem uma versão folk metal feita por Korpiklaani.

15 de set. de 2013

O tempo dos cogumelos

Certamente uma das melhores épocas do ano na Finlândia é o outono, entre os meses de agosto e outubro. Tudo bem que não dá mais pra nadar nos lagos, ou andar de bike confortávelmente, vestindo uma camisa comum e um short. Mas o outono é o tempo dos cogumelos ou sienet, delícias da culinária finlandesa que eu só aprendi a apreciar um dia desses!

Existem centenas e centenas de cogumelos na Finlândia, que nascem naturalmente - e "limpamente" - em quase todos os tipos de terreno. Nem todos são comestíveis. A regra número 1 aqui é nunca tocar num cogumelo que você não conhece. Existem espécies venenosas e algumas até letais. Lembram daquele cogumelo do Mario?

Punakärpässieni aka cogumelo do Mario.

Pois é, simplesmente um dos mais venenosos de todos. Então nem pensar em comer desse ai! Além dos venenosos, existem aqui os cogumelos alucinógenos. Mas nada que eu tenha visto em dois anos de vivência aqui (acredito que esses são os primeiros a desaparecer dos prados e florestas).

Ainda não sou nenhuma expert em cogumelos, mas sei de quatro que são maravilhosos (no sentido culinário da coisa). O meu favorito - e o mais difícil de conseguir, já que todo mundo quer o mesmo - é o Kantarelli: 

Kantarelli. #meu

Geralmente faço sopas, molhos para macarronada, ou simplesmente frito e como com pão. O kantarelli pode ser comido cru também, mas geralmente deixa um gosto esquisito se for consumido assim. 

Meu segundo preferido é o Mustatorvisieni, que em português sera traduzido como "cogumelo do chifre preto". É um dos meus favoritos principalmente porque é um tipo de cogumelo que nasce em colônias mais densas. Ou seja, encontre um, encontre dezenas! Ele é meio feinho e parece estar estragado, mas não se deixe enganar pelas aparências:

Mustatorvisieni aka "cogumelo do chifre preto".

E, como disse, ao achar um, achei todos esses:

Caçada bem sucedida :)

Além desses dois, sei da existência do suppilovahvero e do herkutatti. Mas não tenho muita sorte pra esses dois, já que moro em cidade e não tenho carro. Geralmente o pessoal aqui faz pequenas viagens nos fins de semana, quando vão direto a lugares onde tem os melhores cogumelos (geralmente nas partes mais remotas das florestas).

Cogumelos podem ser ressecados ou congelados, podendo ser consumidos dentro de um ano. Coisa boa é ter um freezer espaçoso!

1 de set. de 2013

Alguns fatos sobre: Finlândia e Piauí

Existem muitos costumes compartilhados ao reverso entre esses dois distintos pedaços de terra. Alguns costumes não tão ao reverso assim. Os dois respondem pelo mesmo descritivo: aquele lugar quente/frio e distante.

Como piauiense legítima e imigrante estabelecida na Finlândia há mais de dois anos, posso notar certas características que se encontram nesses meus dois lares.

Geografia, história e política

A começar pelas semelhanças geográficas, temos os seguintes mapas territoriais:



Apesar de não saber corretamente em qual escala os mapas acima se estabelecem, creio que as proporções territoriais - em termos de área territorial - estejam corretas.

Com relação à região, o Nordeste é para o Piauí o que a Escandinávia é para a Finlândia: um imenso grupo étnico que compartilha consigo mesmo uma grande variedade de valores históricos e culturais. Em muitos casos, ambos Nordeste e Escandinávia tentam ser livres da responsabilidade de incluir territórios tão "difamados"/"distantes"/"desinteressantes" quando PI e FI.

Os dois carregam sítios milenares, onde se podem encontrar registros das primeiras civilizações humanas/extra-terrestres.

Os dois foram temidos no passado por serem o lar de seres humanos hostis e destemidos. Também compartilham de um passado indígena.

Nos dois locais, a maioria dos problemas que envolvem assuntos legais e de natureza oficial tem de ser resolvidos nas capitais.

Os dois carregam certa mágoa dos (E/e)stados vizinhos.

Clima

O clima é muito parecido entre os dois locais. As temperaturas tem números parecidos: entre 30 e 40 graus. Só que no Piauí é pra mais e na Finlândia é pra menos.

Educação, cultura e lazer

Os dois lugares, renegados por suas respectivas zonas políticas, são casualmente enfatizados quanto à qualidade de seus estudantes.

A cultura local nos dois territórios é rica em sua diversidade. Porém os créditos são sempre dados a outros (E/e)stados, seja pela origem, seja pelo suposto aperfeiçoamento da prática cultural.

Assim como o Piauí, a Finlândia tem a bebida alcóolica como principal fonte de entretenimento e interação social.

Tanto o Piauí quanto a Finlândia tendem a louvar suas tradições e renegar seus ídolos contemporâneos. Um exemplo de tradição entre os dois territórios está relacionado ao forte caráter agrícola dos dois, confirmando na figura de vaqueiros e samis valores histórico e épico. Já entidades como Stephany Absoluta e Frank Aguiar (PI) e Alexi Laiho e Kimi Räikkönen (FI) são tidos como maus representantes de seus respectivos povos, seja por carregarem a confirmação de certos estereótipos, seja por não mais pertencerem aos contornos físicos dos territórios.

Peculiaridades

Na Finlândia, sol é coisa rara. No Piauí, a chuva. Tanto o sol quanto a chuva são loucamente esperados por tudo e por todos nos respectivos lugares. Mas quando chegam, a reação mais natural é evitar. Fechem as cortinas rapidamente para o sol não entrar! Vamos reclamar nas redes sociais sobre a chuva e o frio de hoje, pra ver conseguimos espantá-lo.

A sauna está para a Finlândia assim como o ar-condicionado está para o Piauí.

Paisagens urbanas e rurais são relativamente livres de resíduos poluentes - por exemplo, garrafas e sacolas plásticas pelos acostamentos das estradas. Especialmente se comparando com (E/e)stados vizinhos.

Vários outros detalhes fazem eu me sentir em casa. Mas se os dois lugares são realmente a mesma coisa, por que é que eu decidi ficar por aqui mesmo? A resposta em uma palavra: silêncio.

28 de ago. de 2013

Receita finlandesa: Mustikkapiirakka

Particularmente, não sabia que plantavam blueberry no Brasil - já que não cresce naturalmente. E recentemente fiquei sabendo que se chama "mirtilo". Aqui na Finlândia o nome é mustikka. Pra mim virou um nome mágico que só traz pensamentos bons e deliciosos! Sei que devo conter em termpos de jejum. Então, já que não posso comer, vou ao menos compartilhar algumas coisas sobre a mustikka, assim como deixar minha receita no final :)

Pra quem nunca viu, a mustikka é assim:


E aqui é encontrada em lugares como:


A mustikka tem um gosto bastante parecido com o da siriguela. O período de colheita aqui é no final do verão, entre Julho e Agosto. Como ela cresce arbustos, a colheita da mustikka é um evento familiar todos os anos. 

Geralmente, temos que "pentear" o arbusto com colhedores como este:


Quanto mais mustikka, melhor! Como sou iniciante, demoro vários dias pra colher um balde. Daí tenho que ir várias vezes pra ter o suficiente. Da mustikka pode-se fazer geléia, sobremesas, sorvetes e por ai vai. Eu usei um balde de mustikka pra fazer geleia e outro congelei pra fazer tortas ao longo do ano. E a minha torta favorita, vou escrever a receita aqui! Mas cuidado: carboidratos mode on ;)

Mustikkapiirakka

Ingredientes


  • 4 copos de trigo
  • 2 copos de açúcar
  • 2 colheres de chá de bicarbonato de sódio ou 1 colher de chá de fermento
  • 350 g de manteiga ou margarina
  • 2 ovos
  • 1 copo de iogurte natural  ou 1 copo de leite

Modo de preparo

Passo 1. 
Em uma tigela, misture o trigo e a manteiga. Amasse até formar uma farinha.

Passo 2. 
Separe a mistura em duas tigelas.

Passo 3. 
Em uma das tigelas, adicione os 2 ovos e o iogurte. Misture bem.

Passo 4. 
Em uma travessa, coloque papel manteiga. Espalhe a mistura do passo 3 por cima do papel.

Passo 5.
Adicione uma camada de mirtilo.

Passo 6.
Adicione uma camada da outra mistura do passo 2.

Passo 7.
Asse em forno médio a 200 ºC por 30 min.



Depois de assada, retire a torta do forno e ponha um pano de prato por cima até esfriar.

Caso você não tenha mirtilo, a mesma receita vale pra maçã, siriguela, banana, etc.

Coma com moderação! :)

27 de mai. de 2012

O mercado das pulgas

Por mais preconceituoso que o nome possa parecer, a ideia dos "Mercados das Pulgas" aqui na Finlândia é bastante democrática e amplamente aceita em todos os segmentos da sociedade.  


Conhecidos em outros países como Flea Market, Second-Hand Shop, Bazar ou Brechó, são centros de venda de coisas usadas, semi-usadas, quase-nunca-usadas, semi-novas e, de vez em quando, até novas. 

Aqui o nome Kirpputori (kirppu= pulga; tori=mercado) não é, como no Brasil, sinônimo de "de qual defunto isso veio mesmo?" ou "vendemos lixo". Nem tampouco sinônimo de "coisas velhas de madame, vendidas por 18x mais caras que o preço original". Os Kipputori são também conhecidos como centro de reciclagem, pois além revender roupas e demais objetos usados reaproveitam materiais que antes seriam descartados (garrafas plásticas, sacolas, embalagens de café, retalhos de tecidos, etc.)

São lugares onde se encontra de tudo. Quando digo tudo, me refiro a tudo mesmo! Roupas, calçados, chocolate, coleira pro cachorro, chicotes e algemas (pros que essa vertente de "atividade a dois"), livros,  utensílios domésticos, eletro-eletrônicos, portas, janelas, sofás e por aí vai. A vantagem? Os preços. Peças que originalmente saíram por 40€ lá estão a 0,20€, 1€, 4€ e, se for algo muito raro e antigo, pode chegar a até 120€. Mas não acho que lustres de cristais estão mais em alta.

Chicotadas em oferta: só 1€!
Com as peças do mercado é possível mobiliar uma casa inteira com menos de 200€ e ainda enfrufruzar o lar com as mais variadas peças de decoração.

E se você não encontrar o que precisa (o que é raro; na maioria das vezes você encontra e compra até o que não precisa), basta andar alguns blocos e entrar no próximo Kirpputori. Só aqui na cidade de Jyväskylä (Finlândia Central) tive a oportunidade de conhecer seis mercados, dentre os quais existem três dos quais me tornei cliente cativa.

Copos iittala: não retire a etiqueta, se não perde a realeza. 

Mas como foi dito anteriormente, o mais interessante do Kirpputori é o fato de que todos os tipos de pessoa o frequentam. Engana-se quem pensou que é um lugar pra mulheres, vovós e imigrantes brasileiras sem muito capital financeiro pra torrar. Lá já vi de garotos metalhead, punks, e professores universitários até vovôs esportistas, papais de primeira viagem e estudantes secundarista. Posso até arriscar dizer que o número de clientes homens é igual ao número de cliente mulheres.

Só não ia sair por aí tirando fotos não autorizadas das pessoas, porque aqui algumas são meio hostis quanto a isso.
Além da variedade incrível de coisas, o Kirpputori não permanece o mesmo por mais de uma semana. Como são produtos muito baratos e como recebe muitas doações, o mercado está em constante renovação. Então, caso você goste ou realmente precise de alguma coisa, compre imediatamente ou nunca mais a veja!







Gostou? Então aproveite aqui a galeria completa com 106 fotos! 

15 de dez. de 2011

Hevisaurus: Heavy Metal para crianças

Que o modelo de educação finlandês é um exemplo para o mundo, isso todos nós sabemos - ou estamos começando a saber. Também é notável a cultura do Heavy Metal no pequeno país, localizado no fim direito da Escandinávia. Mas até agora eu não tinha percebido o que um aspecto tem a ver com outro. Só sei de uma coisa: este mundo está salvo!
Herra Hevisaurus, é o tiranossauro-rex líder e vocalista da banda.

De 2009 até agora os Hevisaurus têm doutrinado as crianças finlandesas na cultura Heavy Metal. Pra quem, como eu, não sabia da existência da banda, posso resumir da seguinte maneira: imagine a Família Dinossauros tocando Metal à lá Nightwish ou Blind Guardian - pra citar exemplos famosos. 

Os bonecos são um tanto toscos, tão 80´s e 90´s quanto os da família do Baby, mas os pequenos finns parecem achar o máximo.

Milli Pilli, a Charlene tecladista - que tira uns vocais às vezes.
Com isso, as crianças aqui se interessam mais cedo por aprender a tocar instrumentos musicais e a compor, o que desencadeia uma série de hábitos saudáveis social e culturalmente falando. E não estou simplesmente puxando a sardinha pro meu lado. Quase todo os dias matérias como esta são publicadas, comprovando o que eu tenho dito.

Komppi Momppi, o baterista.

Acho que a coisa mais parecida que tivemos no Brasil - uma banda de rock com grande aceitação entre o público infanto-juvenil - foram os Mamonas Assassinas que, ainda assim, apelavam mais pra sexualidade do que qualquer outro tema.

Nada contra as Kelly Keys, Claudias Leitte e Mulheres-Fruta da vida (também nada a favor; que fique registrado), mas acho que nosso Brasil está precisando de influências que ensinem suas crianças algo além da mera função de procriar um dia - ou sair por ai praticando o "todo enfiado" irresponsavelmente.

Os Hevisauros trazem em suas letras temáticas não muito distantes das abordagens feitas em músicas de bandas de gente grande: viagens, mundos fantásticos, dragões e ainda, claro, dinossauros. Além disso, a linguagem narrativa dos video-clipes às vezes é de provocar inveja em muitas bandas de metal por aí (com direito a orlas marítimas e amplificadores Marshall).

Ou seja, nem tudo está perdido! E como diria o povo do Ensiferum, existe um place in the North, far, far away onde os pequenos prometem. E como prometem!

25 de set. de 2011

Sensações ao extremo: fazendo escolhas

Quando comprei meu Rock in Rio Card, em dezembro de 2010, eu não fazia muita ideia do que isso significava. Além de, é claro, significar R$ 120 de prejú no cartão e outros tantos centos em passagens aéreas, comida e pequenas despesas. Eu não sabia como ia pagar isso tudo, mas comprei a entrada.

Não era um Rock in Rio qualquer: o Metallica ia se apresentar. E ainda vai. Daqui a poucas horas. 

Outros tantos mil brasileiros e infiltrados, cambistas e vovós metidas a truezonas estarão lá. Menos eu, que estarei na Finlândia, aguentando meu marido tocar Iron Maiden. Ele é um excelente guitarrista. Um dos melhores que já vi. Mas Iron Maiden é um pouco de descaso com meu sofrimento.

Mermão, que caos! Diabo de Iron Maiden! Deixei minha família e meus amigos do outro lado do oceano, todos devidamente em-pê-te-cidos comigo porque escolhi vir pra esse rumo. E porque não estariam? Eu mesma nem sei explicar as motivações que culminam nas minhas escolhas, só sei que o Iron Maiden tá me dando nos nervos.

De dezembro até poucas semanas antes de eu saber que viria pra cá, eu esperava o dia 25 de setembro de 2011 como um fanático que espera Jesus Cristo aparecer na Terra. E agora que este dia chegou, caí numa teia mental de pequenas realizações cognitivas, a famosa ficha acaba de descer os últimos dutos da minha consciência, como um gole seco.

E respondendo a pergunta da geral: a vida por aqui vai começar amanhã, 26 de setembro.

18 de set. de 2011

Um domingo luterano

Eis que finalmente me encontro aqui na terra nórdica, tentando acabar com a procastinação da vida em seus vários círculos interativos. As coisas ainda não se colocaram nos seus devidos lugares, até porque nem sei ainda a quais devidos lugares pertencem minhas coisas.

Então, vamos falar sobre a Finlândia. Quando a coragem aparecer - espero que pelo menos uma vez por semana - vou escrever aqui coisas sobre a vida prática e controversa neste território pantanoso do extremo norte.

Ok, acho que posso começar. 

Fiquei sabendo que a maoria do pessoal aqui na Finlândia é da religião luterana. Lembrei das aulas de história no ensino médio, quando religiões e ideologias de épocas distintas eram postas pelos professores numa espécie de time-line preguiçosa, onde você só aprendia que depois do ano tal o povo se revolta e funda ideia tal. 

Era um domingo de manhã. Tudo ensolarado, grama verdinha, folhas vermelhas e amarelas caindo no chão - ah é a primeira vez que experiencio um outono propriamente dito. Daí, decidi que não custava nada da uma olhada despretenciosa na missa que celebram na igreja aqui perto de casa. (Moro na cidade de Jyväskylä, quase 300km da capital Helsinki).

A despretenção transformou-se num entusiasmo esquisito, mas sem afetar meu ceticismo. Começando pela disposição arquitetônica do edifício que abriga as cerimônias, pude notar que algo interessante ia se passar lá dentro. 

Frente da igrejinha.

Se não fosse pela cruz, eu não identificaria como uma igreja. Tem vários prédios nesse estilo por toda a cidade. Na frente, tem um painel com os horários das missas e outras atividades sociais desenvolvidas pela igreja.

O interior da igreja parece meticulosamente elaborado para dar impressões celestiais aos participantes da celebração. Sombras e luzes bem distribuídas por todo o salão principal (não sei direito o nome), dando um ar de contemporainedade ao ambiente semi-circular.


Visão geral do salão principal.

O altar é rodeado por uma espécie de "cerca" (amigos arquitetos, perdoem a falta de terminologia técnica) e pequenos bancos de madeira acochoados para que os participantes do culto possa ajoelhar-se ao receber a hóstia.

O altar.
Agora a missa me surpreendeu. Sendo sincera, mas com toto respeito, as missas de domingo que assisti pelas igrejas católicas fora demasiadamente monótonas e eu temia que a atmosfera cansativa e nefasta, típica de missas de domingo se repetisse. Doce engano.

Pra começar, a maioria da missa foi cantada. Muito bem cantada, por um coral. Vozes perfeitas, afinadíssimas e divinamente regidas por um maestro ilustravam as notas soadas por um órgão também tocado perfeitamente. Já vi apresentações de corais antes, mas nunca como aquele. Passei a cerimônia inteira boqueaberta. 

Cancioneiro.
Ao entrarmos na igreja, somos recepcionados pelos sacerdotes e recebemos a bíblia deles, que mais parece um cancioneiro para leitores avançados. É através do livro que podemos acompanhar a missa. As páginas são previamente escolhidas pelos sacerdotes e os números são expostos em painéis disponíveis nas paredes à frente do público.
Páginas do cancioneiro.
Outra diferença - acredito que mais marcante - em relação à missa católica, é que esta missa luterana foi celebrada por uma mulher. Até comentei com algumas pessoas que eu nunca tinha presenciado tal coisa e me disseram que aqui é muito comum que mulheres celebrem as missas. Ainda existem padres/sacerdotes mais conservadores que são contra, mas é extremamente arriscado defender uma postura assim numa sociedade como a finandesa. E assim, os opressores viram simples orpimidos.

Mas continuando...
Depois da missa tem um "comes e bebes" no salão de convivências, simples porém muito bom. Geralmente café, leite e uns pães e bolos que tem gosto de festa de natal. Quando lembrei que deveria fotografar, já tinha comido e bebdido tudo. Deixa pra próxima!

Salão de convivências. Povo do coral brocando à esquerda.
Eu gostaria de ter filmado e fotografado a cermônia, pra oferecer mais detalhes aqui. Mas achei que seria um pouco desrespeitoso, além de eu ser novata - ia pegar demasiadamente mal. Assim, esperei até o término da missa pra poder fotografar algumas coisas.

Tenho um material preparado aqui sobre "procedimentos de chegada" na Finlândia. Além disso, tem várias curiosidades e outros caos que eu vou escrever aqui futuramente.

Total caos pra todos vocês!