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| Diva Plavalaguna e sua cara na vida real: Maïwenn Le Besco. |
O take completo e finalizado da cena:
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| Diva Plavalaguna e sua cara na vida real: Maïwenn Le Besco. |
“E ele chorava muito e parecia estar num estado de transe, como se tivesse dormindo ou coisa parecida. Tentei acordá-lo, eu já estava bastante desesperada. Mas ele somente gritava muito e chorava por causa da tal dor misteriosa. Aquela cena chamou a atenção das demais pessoas. Um homem se apresentou como médico e começou a examiná-lo.
‘Nunca vi isso, ele está acordado mas seus impulsos nervosos não são controlados por ele mesmo. É um quadro semelhante à epilepsia, contudo...’ o médico cessa ao ver que o jovem não mais grita ou se debate. Muito pelo contrário, levanta-se calmamente e volta ao seu estado normal.
Exceto pelo seu olhar; estava estranho, quase debochado e malévolo. ‘Você está melhor rapaz?!’ o médico pergunta inutilmente pois ele não entende muito de português. Eu pergunto como ele está, abraçando-o e afagando sua cabeça.
‘I can talk to them...They say they want to...to take one of your…you´ll see…the soul…they said we will never…’ As palavras dele não eram somente confusas, mas também aterradoras. Ele podia falar com eles e eles queriam algo de mim... O que seria?
As luzes falham agora, tudo está escuro. Sentimos um calor infernal e uma fumaça verde fosforescente sai pelos dutos de ar. Lembravam uma festa rave, mas sabíamos que aquilo era o nosso fim.
Uma porta se abre e um ser entra, e mais outro e mais outros. Eram eu, meus pais, o gato, meu amigo e meu namorado, todos muito bem vestidos de médicos. Eu caminho até o tubo em que ‘eu’ estou ‘Foi divertido não foi?’ Fiquei um bom tempo sem entender até o líquido do tubo foi retirado ‘Vou morrer Renée’ disse eu para mim mesma ‘ e você vai ficar no meu lugar’
‘Todos nós vamos morrer em poucas horas’ disse meu namorado me abraçando. ‘Agora vocês estão prontos para nos substituir’ disse meu amigo. ‘Não se preocupem, vocês não se lembrarão de nada amanhã’ disse meu pai. ‘Miau’ disse o gato para seu clone também.”
‘Renée! Hora do almoço! Se levanta, já são 12 horas!’ – disse minha mãe hoje meio dia interrompendo meu sono...
“Conseguimos a imagem de um Airbus da TAM. O avião vinha de Frankfurt com destino a Teresina mesmo. Vimos os momentos de desespero, vimos as pessoas carbonizarem e se despedaçarem entre as ferragens.
Por incrível que pareça as luzes do avião não desligaram quando este caiu. Viramos à esquerda adentrando um novo túnel; parecíamos saber onde estávamos indo. O tal Airbus estava lá, lembro por causa das luzes acesas e o amassado inconfundível, abrira uma cratera onde antes era a Igreja São Benedito. Não preciso mencionar a morte dos fiéis também.
Uma pessoa sobreviveu ao acidente, um passageiro do Airbus. Outro misto de milagre com susto, era meu namorado, que decidiu fazer uma surpresa também; mas ele era um pouco menos bem humorado que meu amigo, talvez pela cultura de seu país, talvez pelo susto e pela sorte de ter renascido. De qualquer forma, estava muito contente em vê-lo são e salvo também.
De repente, outras pessoas começaram a sair do avião, mas não pareciam de fato pessoas normais e vivas. Algumas sem perna, outras sem cabeça, arrastavam-se umas por cima das outras e por cima de membros palpitantes, deslizando sobre o sangue.
Subimos, não sei pra que, mas subimos. Quando a porta abriu, três criaturas estranhas,tais quais as que vi na transmissão de Mikerinos, nos fitaram com seus olhares negros e amendoados. Mais fotos e tirei, mais pavor eu sentia. Elas pareciam incomodadas e começaram a correr em nossa direção. Estavam longe o suficiente para dar tempo de fechar a porta do elevador. Descemos até um abrigo alguns níveis abaixo, sem mais esperanças.
Chegamos a uma sala blindada, outras pesoas já estavam no local. Sentamo-nos num sofá grande a esquerda. Estávamos distraídos e anestesiados pelo pânico e pelo medo quando vêm os gritos: ‘My head aches! I can not support this pain!’ o rapaz germânico – que se comunica em Inglês com agente – se lança imediatamente ao chão. ‘What a hell are you saying?! What do you want from me?! What do you want, please,what?!’ Ele realmente não parecia falar conosco...”
“Depois da confusão toda, raptamos um laptop e descemos. Eu não sabia da existência daqueles níveis subterrâneos, fui seguindo a multidão até eles. Ligavam a cidade toda por debaixo da terra. Havia um mapa no começo do túnel, um mapa eletrônico, uma projeção num quadro em branco. Como diabos faríamos pra decorar aquilo? Esqueci os celulares e, ironicamente, não havia câmera fotográfica comigo.
‘Calma! Isso é fácil. Vê-me o laptop ai.’ Ele digitou umas loucuras lá tão rápido que seus dedos embaçaram na minha visão míope. Em 6,3798 segundos tínhamos os 2Mb do mapa em ‘nosso’ laptop. ‘Esse PC aqui é dos bons. Bem caro por sinal, inclusive lá no Japão. Mas esses Macs atuam melhor pra trabalhar com vídeos e tals... E também...’ Tive que interrompê-lo pois ali ia começar um discurso científico sobre os computadores da Mac e não tínhamos muito tempo.
O mapa apontava uma entrada para a casa dos meus pais. Morei lá minha vida quase toda e nunca tive notícia de tal entrada. Chegamos lá em poucos minutos. A casa, apesar de bem perto do maior local de incidência dos lasers, estava intacta. O corredor alçapão levava até o meu quarto. Meus pais estavam acuados no canto da sala, temerosos.
Peguei uma mochila e enchi de comida. Peguei também uma das minhas câmeras fotográficas – tinha batalhado demasiadamente para tê-la – que era 28 Giga Pixels, ela fotografava nitidamente até as crateras da lua. Era meu ‘xodó’, não poderia nem considerar a remota hipótese de deixá-la pra trás.
Minha mãe pegou mantimentos também e meu pai a coisa mais valiosa dele: o gato Toluil. O gatinho já estava velho mas ainda era tenaz. Tínhamos outra gatinha, Xena, mas ela morreu há alguns anos, dormindo feito um bebê.
Ouvia-se o barulho do metrô, a buzina. Ele sempre se atrasava mas naquele dia, por ironia do destino, ele estava bem pontual. Outra explosão...Pobres pessoas, digo até pobres literalmente, alguns tinham somente a passagem do metrô e algumas sacolas com comidas que compraram com as esmolas do dia.
Não estava lá, vendo o metrô explodindo, mas imaginei a cena. ‘Olha! Eu consegui acessar as câmeras de segurança dos ônibus e dos aviões comerciais!’ disse meu amigo. Abrimos e deixamos alguns vídeos carregando enquanto descíamos de volta aos túneis: eu, meu amigo, meus pais e o gato. Era um milagre aqueles dispositivos todos ainda funcionarem..."
“Não acreditava no que meus olhos 'descoculados' viam. O objeto metálico, que mais parecia dois pratos de ouro, deslizava rapidamente entre as nuvens crepusculares e se aproximava do chão com velocidade constante. Repentinamente, outros objetos idênticos saiam por de trás das nuvens pálidas, contrastando-se com elas e confundindo-se com gradiente no céu.
Eram incontáveis agora. Minha reação foi ímpar: sair correndo. A porta de entrada da TV estava muito longe, então abri uma das janelas espelhadas de uma daquelas salas que ficavam no térreo e lá entrei. Era a sala do Diretor executivo, um cara bem antipático. A secretária ‘boasuda’ dele ainda estava lá, provavelmente tinham acasalado momentos antes.
‘Você não pode ficar aqui meu bem, já vou fechar a sala’ ela disse com uma voz irritante, como quem está em um orgasmo constante. Eu estava simplesmente em pânico, só consegui ficar ali ao lado da janela espelhada – agora bem fechada – olhando a cidade ser destruída.
Ela quando notou o que acontecia lá fora, pôs-se ao chão em pranto: ‘Meu deus! Vamos morrer!’ Peguei o celular em cima da mesa, não sabia de quem era, só conseguia pensar em ligar pra uma pessoa. Sentia que ele poderia, não como diabos, ajudar-me naquela situação. Mas estava tão nervosa que não conseguia apertar direito os botões do celular.
Alguém bate à janela. Que susto e que alívio ao mesmo tempo, quase uma sensação de milagre. Ele conseguira passar pelo campo de batalha e estava lá, era ele sim, como se tivesse atendido à chamada que não fiz! Ele estava há um mês no Japão, finalizando um doutorado em alguma coisa da computação, não sabia se voltava.
Abri a tal janela instantaneamente e logo que ele entrara o abracei como nunca antes. ‘Olha, não precisava essa festa toda pra me recepcionar! Fico muito grato!’ Ele não perde o humor nem nessas horas. ‘Eu fiquei sabendo que a TV era aqui agora, ai resolvi te fazer uma visitinha. Daí, depois eu...’
Sua frase fora interrompida por um barulho ensurdecedor. A Igreja dos Loucos, logo à frente, fora minada por uma bomba esquisita. Pude ver o desespero das pessoas queimando vivas, algumas sublimavam depois de alguns segundos enquanto as estruturas da Igreja pareciam sumir como num efeito de fade out.
As aeronaves da FAB ‘birravam’ com os objetos metálicos, mas eram insignificantes em número e poder de fogo. Os OVNIS disparavam lasers que causavam combustão instantânea nas coisas, o que quer que fosse atingido por aquilo virava cinzas na mesma hora... Era mesmo o Apocalipse..."